Ciências HumanasImpério Brasileiro e a Questão AbolicionistaDifícil

Questão de Império Brasileiro e a Questão Abolicionista — ENEM

Na segunda metade do século XIX, circulavam no Brasil teorias que se autodenominavam científicas e pretendiam justificar hierarquias entre grupos humanos com base em características físicas e biológicas. Influenciados por autores europeus como Gobineau e Spencer, intelectuais brasileiros como Sílvio Romero e Nina Rodrigues debateram a composição racial do povo brasileiro, frequentemente atribuindo ao componente africano e ao indígena a responsabilidade pelo que chamavam de 'atraso' do país. Essas ideias embasavam tanto a política imigratória, vista como instrumento de branqueamento, quanto a repressão a práticas culturais afro-brasileiras como o candomblé e a capoeira. O texto ilumina como o racismo científico funcionou, nesse período, como qual tipo de instrumento?
AUma ferramenta de mobilização das populações negras e indígenas para reivindicar direitos políticos.
BUma ideologia que legitimava a dominação e a exclusão de africanos e indígenas por meio de argumentos pretensamente científicos.
CUm conjunto de estudos neutros e objetivos que descrevia as diferenças culturais sem emitir julgamentos de valor.
DUma teoria que defendia a igualdade racial e inspirou as primeiras leis antidiscriminatórias do Império.
EUma corrente filosófica restrita às universidades europeias, sem nenhuma influência nas políticas do Brasil Imperial.

Gabarito comentado

O racismo científico não era simples curiosidade intelectual: funcionava como ideologia que justificava políticas de exclusão, branqueamento e repressão cultural. Compreender essa articulação entre ciência e poder ajuda a analisar criticamente como desigualdades raciais foram produzidas e legitimadas no Brasil do século XIX, com efeitos que persistiram muito além do Império.

Resolução passo a passo

O texto descreve como as teorias do racismo científico atribuíam o suposto 'atraso' brasileiro ao componente africano e indígena, embasando a política de branqueamento via imigração europeia e a repressão a práticas culturais afro-brasileiras. Esse uso das teorias como instrumento de dominação e exclusão é exatamente o que a segunda alternativa afirma. A primeira inverte a realidade, pois as teorias racistas não mobilizavam as populações negras e indígenas a reivindicar direitos, mas justamente as subordinavam. A terceira ignora a dimensão valorativa explícita nas teorias que hierarquizavam raças. A quarta contradiz o texto, dado que o racismo científico não defendia igualdade racial. A quinta é falsa, pois o texto mostra diretamente a influência dessas ideias nas políticas imigratórias e repressivas do Brasil Imperial. Logo, a resposta correta é a segunda.

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