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Questão de Variação Linguística (Histórica, Social, Regional e Estilística) — ENEM

Em um programa de humor, um personagem de classe alta zomba de um trabalhador que diz 'os menino foi' e 'nós vai'. O personagem rico ri e o corrige com ar de superioridade, sugerindo que quem fala assim 'não sabe português' e por isso 'não merece ser levado a sério'. A plateia é convidada a rir do trabalhador. Um linguista convidado para comentar a cena observou que essas construções, como a concordância 'os menino', seguem regras próprias de uma variedade do português falada por milhões de pessoas e que zombar delas não é corrigir a língua, mas atacar quem a usa. Considerando a leitura do linguista sobre a cena, o que essa situação ilustra de modo mais preciso?
AUma correção gramatical legítima, já que a forma 'nós vai' é sempre um erro inaceitável.
BUm caso de preconceito linguístico, em que uma variedade vira motivo de chacota e exclusão social.
CUm exemplo de variação histórica, pois o trabalhador fala um português de séculos passados.
DUma simples variação de canal, porque a fala se diferencia naturalmente da escrita formal.
EUma demonstração de que a norma-padrão é a única forma realmente correta de falar.

Gabarito comentado

Preconceito linguístico é a desvalorização de uma variedade e, com ela, de seus falantes, em geral atrelada a fatores sociais e econômicos. A linguística distingue a norma-padrão, uma variedade de prestígio, do julgamento de 'certo' e 'errado': toda variedade é sistemática e funcional dentro de sua comunidade.

Resolução passo a passo

A cena mostra um personagem ridicularizando outro por causa de suas construções, e o linguista esclarece que essas formas pertencem a uma variedade legítima usada por milhões de falantes. Transformar essa diferença em chacota e em motivo de desqualificação social é a definição de preconceito linguístico, que confunde variedade com inferioridade. A ideia de correção legítima não se sustenta, uma vez que cada variedade tem regras próprias e a norma-padrão é apenas uma delas. A variação histórica trata de mudanças no tempo, e não é disso que a cena trata. A variação de canal opõe fala e escrita, enquanto o foco está no julgamento social de quem fala. Afirmar que a norma-padrão é a única forma correta reproduz justamente o preconceito que o linguista critica. Por isso a melhor leitura é o preconceito linguístico.

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