LinguagensVariação Linguística (Histórica, Social, Regional e Estilística)Difícil

Questão de Variação Linguística (Histórica, Social, Regional e Estilística) — ENEM

Uma charge publicada em um jornal de grande circulação mostra dois personagens. No primeiro quadro, um jovem periférico, com roupas de basquete e boné, diz a um professor: 'Professor, o senhor tá de sacanagem? Esse texto tá osso, véio. Não tô entendendo nem um pai.' No segundo quadro, o professor, ao invés de responder ao conteúdo, replica com ar surpreso: 'Você vai ter de aprender a se expressar corretamente antes de me fazer perguntas.' O jovem, no terceiro quadro, olha para fora do quadrinho e pensa: 'Perguntei sobre o texto. Me respondeu sobre o meu vocabulário.' Considerando o que a charge denuncia, qual leitura crítica ela sustenta?
AQue o jovem deveria ter usado a norma-padrão para que o professor pudesse compreendê-lo.
BQue a dúvida do jovem não era legítima, pois ele não domina o vocabulário acadêmico necessário.
CQue a escola, ao priorizar a forma da linguagem sobre o conteúdo da pergunta, pratica exclusão linguística.
DQue o professor agiu corretamente ao corrigir a linguagem antes de responder à pergunta.
EQue a variedade periférica é incompatível com o ambiente escolar e deve ser deixada do lado de fora.

Gabarito comentado

A charge condensa um debate central da sociolinguística educacional: quando a escola silencia uma pergunta por causa da variedade do aluno, ela transforma a norma em barreira de acesso ao conhecimento. Uma pedagogia inclusiva responde ao conteúdo e usa a situação para ampliar o repertório, sem negar a legitimidade da variedade do estudante.

Resolução passo a passo

A charge mostra que o jovem fez uma pergunta legítima sobre o conteúdo do texto, utilizando sua variedade linguística, e o professor ignorou a questão para comentar a forma da linguagem. O jovem percebe isso no último quadro: ele perguntou sobre o texto e recebeu uma resposta sobre seu vocabulário. Esse episódio ilustra como a escola pode praticar exclusão linguística ao priorizar a conformidade à norma-padrão em detrimento do conteúdo da comunicação, silenciando dúvidas legítimas de estudantes de variedades periféricas. Dizer que o jovem deveria ter usado a norma-padrão primeiro pressupõe que sua variedade é inadequada para o ambiente escolar, reproduzindo o preconceito que a charge critica. Afirmar que a dúvida não era legítima desqualifica o estudante pela forma da expressão, e não pelo conteúdo. Considerar a atitude do professor correta valida a exclusão retratada. Dizer que a variedade periférica é incompatível com a escola nega o direito de estudantes periféricos ao acesso ao conhecimento. Portanto, a charge denuncia a exclusão linguística praticada pela escola.

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