LinguagensSemântica, Ambiguidade e IroniaDifícil

Questão de Semântica, Ambiguidade e Ironia — ENEM

Durante uma entrevista ao vivo em programa de rádio, um jornalista perguntou a um político se ele pretendia se candidatar à reeleição. O político respondeu com um sorriso: 'Fico muito lisonjeado com o apoio do povo. Nosso trabalho tem dado frutos, e onde há frutos, há quem queira continuar colhendo.' O jornalista insistiu: 'Mas o senhor confirma a candidatura?' O político encerrou com elegância: 'Quando a terra está boa, o agricultor não abandona a lavoura.' Um analista político comentou depois que as respostas tinham dupla camada de sentido: um literal, sobre agricultura, e um sugerido, sobre política. Qual é o recurso utilizado pelo político para expressar uma intenção sem assumir diretamente o compromisso?
Alinguagem conotativa, pois as imagens figuradas sugerem uma intenção sem afirmá-la literalmente.
Bambiguidade estrutural, pois a ordem das palavras nas frases permite duas leituras sintáticas.
Chipérbole, pois o político exagera nas conquistas do seu mandato para convencer o eleitor.
Dantítese, pois as respostas colocam em oposição a lavoura abandonada e a reeleição pretendida.
Emetalinguagem, pois o político explica o funcionamento do próprio discurso que utiliza.

Gabarito comentado

A linguagem conotativa vai além do sentido literal das palavras, criando camadas de significado figurado, sugestivo ou simbólico. Em contextos políticos e persuasivos, ela é usada estrategicamente para comunicar intenções sem assumir compromissos diretos, exigindo do interlocutor a leitura das imagens e metáforas utilizadas. Identificá-la exige confrontar o sentido literal com o contexto e a intenção do falante.

Resolução passo a passo

O político usa imagens do campo agrícola — frutos, colheita, lavoura — que, tomadas ao pé da letra, falam de agricultura, mas, em sentido figurado, apontam para a intenção de se recandidatar sem afirmá-la diretamente. Esse deslocamento deliberado do sentido literal para o sentido sugerido e figurado é o que define a linguagem conotativa. A ambiguidade estrutural dependeria de uma dupla leitura gerada pela posição dos termos na frase, e aqui o duplo sentido não vem da sintaxe, e sim da carga figurada das imagens usadas. A hipérbole exageraria de forma reconhecível uma ideia, e o político não exagera: apenas usa metáforas agrícolas de forma estratégica. A antítese colocaria termos de sentidos opostos numa mesma construção, o que não ocorre nas respostas evasivas. A metalinguagem ocorreria se o discurso falasse sobre si mesmo, sobre o funcionamento da língua, e não sobre agricultura e política. Por isso, o recurso central é a linguagem conotativa.

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