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Questão de Música e Cinema Nacional — ENEM

Um ensaio sobre o cinema nacional descreve a Retomada, período de reerguimento da produção brasileira em meados dos anos 1990, depois de uma forte crise no setor. O ensaio observa que muitos filmes da Retomada voltaram a olhar para o Brasil real — o sertão, a estrada, a periferia urbana. O texto então discute um deslocamento mais recente: a passagem de filmes que retratam comunidades populares de fora, pelo olhar de cineastas externos, para produções feitas por realizadores oriundos dessas próprias comunidades, que assumem a câmera e narram a si mesmos. O ensaio argumenta que esse movimento de autorrepresentação muda a relação de poder entre quem filma e quem é filmado. Com base nessa argumentação, a importância dessa passagem para a autorrepresentação está, principalmente, em
Atornar o cinema brasileiro tecnicamente perfeito, embora sem qualquer consequência sobre quem narra as histórias.
Bgarantir que apenas grandes estúdios estrangeiros possam contar as histórias das comunidades populares.
Cpermitir que os grupos antes apenas retratados de fora se tornem autores de suas próprias narrativas, alterando a relação de poder no cinema.
Dabolir totalmente a herança social do Cinema Novo, rompendo qualquer ligação com o Brasil real.
Ereduzir o cinema a entretenimento leve, eliminando o interesse pela realidade social do país.

Gabarito comentado

A autorrepresentação no cinema desloca a autoria: quem antes era apenas objeto do olhar alheio passa a controlar a câmera e a narrativa, mudando a relação de poder entre quem filma e quem é filmado. Relacionar a Retomada, a herança do Cinema Novo e esse deslocamento revela como o cinema nacional discute, em sua própria história, quem tem direito de contar quais histórias.

Resolução passo a passo

O ensaio situa a Retomada como reerguimento do cinema brasileiro nos anos 1990, que voltou ao Brasil real, e em seguida discute a passagem de filmes feitos sobre comunidades, por olhares externos, para filmes feitos por realizadores dessas próprias comunidades, num movimento de autorrepresentação que altera a relação de poder entre quem filma e quem é filmado. A terceira alternativa expressa esse ganho: os grupos antes só retratados de fora tornam-se autores de suas histórias. A primeira nega a consequência sobre quem narra, contrariando o argumento. A segunda inverte o sentido ao entregar as histórias a estúdios estrangeiros. A quarta erra ao afirmar ruptura total com o Brasil real, que o texto diz ser retomado. A quinta contraria o interesse social que o ensaio sublinha.

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