LinguagensLiteratura Contemporânea e Afro-BrasileiraDifícil

Questão de Literatura Contemporânea e Afro-Brasileira — ENEM

Carolina Maria de Jesus, em 'Quarto de Despejo' (1960), narra em primeira pessoa, na forma de diário, a fome cotidiana e a exclusão vividas na favela. Décadas depois, Conceição Evaristo formula o conceito de 'escrevivência', em que a escrita literária se entrelaça à vivência e à memória coletiva do povo negro. Observe dois trechos compostos no estilo de cada autora: 'Anotei no caderno a fome de hoje, para que amanhã ninguém diga que não houve' e 'Escrevo a partir do que vivi e do que viveram as que vieram antes de mim'. O que aproxima a escrita de Carolina e a escrevivência de Conceição Evaristo, considerando os dois trechos e o contexto de cada obra?
AAmbas partem da experiência vivida por mulheres negras para dar voz literária a realidades antes silenciadas.
BAmbas defendem o distanciamento total entre a vida do autor e o conteúdo da obra.
CAmbas adotam o vocabulário erudito da literatura europeia como modelo central.
DAmbas rejeitam a memória como matéria-prima e priorizam apenas a invenção fantástica.
EAmbas se restringem à descrição da natureza, sem qualquer dimensão social.

Gabarito comentado

Comparar autoras exige identificar o que compartilham além das diferenças de época e gênero. Carolina e Conceição convergem no uso da própria vivência como matéria literária e na recusa do silêncio histórico imposto às mulheres negras. Essa leitura comparativa é uma habilidade crítica importante.

Resolução passo a passo

Apesar de Carolina Maria de Jesus escrever um diário-testemunho nos anos 1950-60 e Conceição Evaristo formular a escrevivência décadas depois, ambas partem da experiência vivida por mulheres negras para transformar em literatura realidades antes silenciadas, como mostram os trechos sobre 'anotar a fome de hoje' e 'escrever a partir do que vivi'. As duas escritas se ancoram na vivência, e não em seu distanciamento, o que elimina a segunda alternativa. Não tomam o vocabulário erudito europeu como modelo, já que valorizam a linguagem própria; não rejeitam a memória, que é central em ambas; e não se limitam à descrição da natureza, uma vez que têm forte dimensão social. Por isso, o que as aproxima é partir da experiência de mulheres negras para dar voz a realidades silenciadas.

Quer mais questões de Literatura Contemporânea e Afro-Brasileira?

Monte um simulado focado neste subtema e acompanhe sua evolução.

Questão de Literatura Contemporânea e Afro-Brasileira para o ENEM — com Gabarito Comentado | SimulENEM