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Questão de Literatura Contemporânea e Afro-Brasileira — ENEM

Durante a ditadura militar dos anos 1970, um grupo de poetas brasileiros — entre eles Cacaso, Ana Cristina César, Chacal e Francisco Alvim — produzia livros artesanalmente e os distribuía em bares, cinemas e entre amigos, sem passar pelo circuito das grandes editoras. Considere um trecho representativo desse espírito: 'Não mando o poema pelo correio / nem espero o editor devolver / — coloco na mão de quem passa / e vejo na cara se valeu.' O que a forma de distribuição descrita no trecho revela sobre a relação desses poetas com o sistema literário da época?
AUma estratégia comercial para aumentar os lucros por meio da venda em locais de grande movimento.
BUma submissão às normas impostas pela censura para garantir a publicação dos textos.
CUma tentativa de copiar o modelo das grandes editoras europeias com recursos artesanais.
DUma forma de eliminar qualquer dimensão coletiva da produção poética do período.
EUma recusa consciente ao circuito editorial convencional e a valorização do contato direto com o leitor.

Gabarito comentado

A geração mimeógrafo transformou a forma de produzir e circular poesia em gesto político: ao dispensar editoras e distribuir artesanalmente, criou um circuito alternativo que desafiava tanto o mercado quanto a censura. Reconhecer essa dimensão é essencial para interpretar a poesia brasileira dos anos 1970.

Resolução passo a passo

O trecho 'não mando o poema pelo correio / nem espero o editor devolver / — coloco na mão de quem passa / e vejo na cara se valeu' sintetiza a recusa ao circuito editorial convencional e o valor dado ao contato imediato com o leitor, o que corresponde à alternativa E. A geração mimeógrafo adotava a autoedição e a distribuição informal como gesto estético e político de autonomia frente às editoras e à censura da ditadura. A estratégia comercial de lucro contradiz o espírito contracultural do movimento; submeter-se à censura opõe-se à postura de resistência; copiar o modelo europeu vai contra a criação de um circuito próprio e informal; e a dimensão coletiva era justamente forte nessa geração, com publicações compartilhadas e redes de troca. Assim, prevalece a recusa ao sistema e o contato direto com o leitor.

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