Questão de Cartografia, Escalas e Projeções Geográficas — ENEM
No início da década de 1970, o historiador alemão Arno Peters divulgou um planisfério que provocou intenso debate na comunidade cartográfica. Ele criticava a projeção de Mercator por ampliar as regiões de altas latitudes e, com isso, reduzir visualmente os países da faixa tropical, em sua maioria pobres e ex-colônias. Para combater essa distorção, Peters defendeu uma projeção que preservasse a proporção real entre as áreas dos continentes, ainda que ao custo de alongar as formas, deixando as massas continentais com aparência esticada na vertical. A proposta foi abraçada por organismos ligados a causas sociais e do chamado Terceiro Mundo, que viram nela uma representação mais justa da população e do território dos países do Sul. O episódio mostra como escolhas técnicas de cartografia se entrelaçam com disputas culturais e políticas. Considerando a característica central defendida por Peters em sua projeção, depreende-se que ela é classificada como uma projeção
Aequivalente, que mantém a proporção correta entre as áreas ao preço de deformar as formas.
Bconforme, que conserva fielmente os ângulos e a forma de cada porção do território.
Cafilática, que não preserva nem as áreas nem os ângulos, distribuindo erros de modo equilibrado.
Dcilíndrica equidistante, que mantém constantes todas as distâncias entre quaisquer pontos do globo.
Eazimutal polar, centrada em um dos polos e voltada à representação das regiões circumpolares.