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Questão de Literatura Contemporânea e Afro-Brasileira — ENEM

A literatura periférica, ou marginal urbana, ganhou força no Brasil a partir dos anos 1990 e 2000, com saraus, coletivos e autores das periferias das grandes cidades que passaram a narrar a própria realidade. Para ilustrar essa produção, considere um poema composto no estilo desses saraus: 'Aqui na quebrada / a gente também escreve. / Não pede licença / pra dizer o que vê: / o ônibus lotado, / o muro pichado, / o sonho que insiste / mesmo sem ter vez.' O eu lírico afirma o direito de a periferia narrar a si mesma, usando elementos concretos do bairro e uma linguagem próxima da fala. Em vez de esperar reconhecimento externo, o texto reivindica a própria voz. A partir da leitura, o que o poema sugere sobre a literatura periférica?
AQue ela afirma o direito da periferia de narrar a própria realidade com voz e linguagem próprias.
BQue ela rejeita qualquer referência ao espaço urbano em que é produzida.
CQue ela depende exclusivamente da aprovação das academias literárias tradicionais.
DQue ela evita falar de problemas sociais para não comprometer a estética.
EQue ela busca reproduzir o vocabulário erudito da literatura clássica europeia.

Gabarito comentado

A literatura periférica nasce de um gesto de autoafirmação: quem antes era apenas tema agora é autor. Ela valoriza a oralidade, o território e a linguagem da quebrada como matéria literária legítima. Perceber essa reivindicação de voz é central para interpretar essa produção contemporânea.

Resolução passo a passo

O poema apresenta um eu lírico coletivo, que fala em nome da quebrada e afirma escrever 'sem pedir licença', mencionando o ônibus lotado, o muro pichado e o sonho que insiste. Esses elementos concretos e a linguagem próxima da fala mostram que a literatura periférica reivindica o direito de a periferia narrar a si mesma, com voz e estética próprias. O texto não rejeita o espaço urbano, ao contrário, ele o nomeia constantemente. Também não depende da academia, já que afirma não pedir licença; não evita os problemas sociais, que estão explícitos; e não imita o vocabulário erudito europeu, uma vez que adota a fala cotidiana. Dessa forma, o poema sugere a afirmação da voz própria da periferia ao narrar sua realidade.

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