LinguagensModernismo Brasileiro (Gerações de 22, 30 e 45)Difícil

Questão de Modernismo Brasileiro (Gerações de 22, 30 e 45) — ENEM

Guimarães Rosa, autor de 'Grande Sertão: Veredas' (1956), integra a terceira geração modernista e é célebre pela renovação radical da linguagem. Em sua obra, o sertão de Minas Gerais é narrado por Riobaldo num fluxo de memória em que se misturam reflexão filosófica, oralidade e invenção vocabular: o autor cria neologismos, recupera arcaísmos e funde palavras para expressar uma experiência que ultrapassa o relato regional simples. Leia o trecho composto no estilo do autor: 'Viver é muito perigoso, eu sei. O sertão é dentro da gente, não é só serra e seca. Travessia se faz é assim, desinventando o caminho, inventando outro, no meio do nunca-mais e do sempre-ainda.' Considerando o contexto e o trecho, a principal contribuição estética de Guimarães Rosa nesse fragmento consiste em:
Areproduzir a fala sertaneja de modo documental, sem qualquer recriação ou invenção.
Btransformar a linguagem em matéria de invenção, fundindo oralidade, neologismo e reflexão.
Cadotar uma prosa objetiva e jornalística, voltada apenas à informação factual.
Dimitar a sintaxe e o vocabulário rebuscados típicos do Arcadismo setecentista.
Elimitar a narrativa à descrição geográfica do sertão, sem dimensão filosófica.

Gabarito comentado

Em 'Grande Sertão: Veredas', Guimarães Rosa renova a prosa modernista ao tratar a linguagem como criação: neologismos, arcaísmos e fusões verbais constroem um sertão que é, ao mesmo tempo, geográfico e metafísico. Reconhecer essa invenção é perceber que, na terceira geração, a forma da palavra carrega o próprio sentido da obra.

Resolução passo a passo

O contexto descreve em Guimarães Rosa a renovação radical da linguagem, com neologismos, arcaísmos, fusão de palavras e a ideia de um sertão que ultrapassa o relato regional. O trecho confirma isso: 'nunca-mais', 'sempre-ainda' e 'desinventando o caminho' são invenções verbais que carregam reflexão ('o sertão é dentro da gente'). A segunda alternativa reúne essa fusão de oralidade, invenção vocabular e pensamento. A primeira reduz tudo a registro documental, negando a recriação evidente. A terceira fala em prosa jornalística, contrária ao estilo elaborado do autor. A quarta o associa ao Arcadismo, período estranho à sua linguagem inventiva. A quinta limita a obra à geografia, enquanto o trecho afirma que o sertão é interior e filosófico. Por isso, a contribuição central é a invenção da linguagem.

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