Ciências HumanasFilosofia Moderna (Racionalismo, Empirismo e Contratualismo)Fácil

Questão de Filosofia Moderna (Racionalismo, Empirismo e Contratualismo) — ENEM

No início da Idade Moderna, o filósofo francês René Descartes propôs reconstruir todo o conhecimento sobre bases seguras. Para isso, decidiu duvidar de tudo aquilo que pudesse ser posto em questão: os dados dos sentidos, que às vezes enganam; as verdades aprendidas na tradição; e até a existência do mundo exterior. Esse procedimento, conhecido como dúvida metódica, levou-o a perceber que havia algo de que não conseguia duvidar, já que o próprio ato de duvidar é uma forma de pensar. Em uma passagem que sintetiza seu racionalismo, conclui que, enquanto pensa, não pode deixar de existir como ser pensante. Essa certeza tornou-se o ponto de partida de sua filosofia e influenciou a cultura intelectual ocidental. Considerando o texto e o método descrito, qual proposição expressa a primeira certeza alcançada por Descartes?
AOs sentidos são a fonte mais confiável de todo o conhecimento humano.
BPenso, logo existo: a própria dúvida revela a existência do sujeito que pensa.
CO conhecimento verdadeiro nasce somente da experiência sensível e dos hábitos.
DTudo o que existe é fruto da vontade geral expressa pela comunidade.
EA mente humana nasce como uma tábula rasa, sem qualquer ideia prévia.

Gabarito comentado

A dúvida metódica é um instrumento, não um fim: Descartes duvida para encontrar uma verdade indubitável. O 'cogito' mostra que, mesmo duvidando de tudo, o sujeito que pensa não pode negar a própria existência, fundando o racionalismo moderno na certeza da razão.

Resolução passo a passo

O texto mostra Descartes duvidando de tudo e percebendo que não pode duvidar de que pensa, já que duvidar é pensar; disso conclui que existe como ser pensante, ideia resumida na fórmula 'penso, logo existo'. A segunda alternativa expressa exatamente esse raciocínio. A primeira é falsa, uma vez que Descartes desconfia justamente dos sentidos. A terceira descreve o empirismo, posição contrária ao racionalismo cartesiano. A quarta remete à vontade geral de Rousseau, tema do contratualismo, alheio ao trecho. A quinta enuncia a tábula rasa de Locke, que nega o inatismo defendido por Descartes. Logo, a primeira certeza é a existência do sujeito pensante.

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