LinguagensVariação Linguística (Histórica, Social, Regional e Estilística)Difícil

Questão de Variação Linguística (Histórica, Social, Regional e Estilística) — ENEM

Em uma crônica, o narrador descreve um jovem talentoso que perde uma vaga de emprego não por falta de competência técnica, mas porque, na entrevista, usou construções de sua variedade de origem, como 'a gente vai resolver os problema'. O entrevistador, sem perceber o próprio julgamento, concluiu que o rapaz 'não tinha preparo'. A crônica, com ironia, observa que a empresa exigia a norma de prestígio como senha de acesso e que dominar essa variedade formal teria aberto a porta, embora a inteligência do candidato fosse a mesma com ou sem ela. O texto não diz que a variedade do rapaz é inferior; mostra que a sociedade atribui valor desigual às variedades e que a norma-padrão funciona como instrumento de seleção social. Diante dessa leitura crítica, o que a crônica problematiza de modo central?
AQue a variedade do jovem é de fato deficiente e precisava ser corrigida para ele trabalhar.
BQue a norma de prestígio funciona como filtro social, gerando exclusão por preconceito linguístico.
CQue a empresa praticava uma variação regional ao exigir o sotaque da capital dos candidatos.
DQue o problema do rapaz era uma variação histórica, por usar um português antiquado.
EQue dominar a norma-padrão torna alguém mais inteligente do que quem usa outra variedade.

Gabarito comentado

A norma de prestígio é a variedade associada aos grupos de maior poder e à escrita formal; dominá-la dá acesso a oportunidades, o que a torna importante de ser ensinada. Reconhecer isso sem hierarquizar as variedades é o desafio: a escola deve ampliar repertórios, não estigmatizar a fala de origem do estudante.

Resolução passo a passo

A crônica mostra que o jovem é competente, mas é descartado porque não dominou a variedade de prestígio exigida na entrevista, tratada pela empresa como senha de acesso. O texto, com ironia, denuncia que a sociedade atribui valor desigual às variedades e usa a norma-padrão como instrumento de seleção social, o que configura exclusão por preconceito linguístico. Afirmar que a variedade do rapaz é deficiente reproduz justamente o julgamento que a crônica critica, diferentemente do que o narrador defende. Não se trata de variação regional ligada a sotaque de capital, mas do prestígio social de uma norma. Tampouco há variação histórica, já que o rapaz fala um português atual. Dizer que a norma-padrão torna alguém mais inteligente contraria o texto, que separa competência de domínio da variedade formal. Por isso o foco é a norma como filtro social.

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