Ciências HumanasFilosofia Contemporânea (Ética, Política e Teoria do Conhecimento)Difícil
Questão de Filosofia Contemporânea (Ética, Política e Teoria do Conhecimento) — ENEM
Em um debate público sobre a distribuição de recursos escassos de saúde, dois argumentos se confrontam. O primeiro, de inspiração utilitarista, sustenta que a decisão correta é aquela que produz a maior soma de bem-estar para o maior número de pessoas, ainda que isso prejudique alguns indivíduos em nome do resultado coletivo. O segundo, inspirado na ética do discurso de Jürgen Habermas, afirma que uma norma só é legítima se puder ser aceita por todos os afetados em um diálogo racional, livre de coerção, no qual cada pessoa apresente argumentos e participe da decisão em condições de igualdade. Os dois modelos disputam o modo de fundamentar decisões morais que afetam toda a comunidade. A partir do texto, a principal diferença entre a posição utilitarista e a ética do discurso de Habermas está em que
Aambas avaliam a ação apenas pelas intenções do agente, ignorando consequências e diálogo.
Ba utilitarista mede a ação por suas consequências em bem-estar, enquanto a ética do discurso funda a norma no consenso racional entre todos os afetados.
Ca utilitarista exige o consenso de todos os afetados, ao passo que Habermas se baseia no cálculo de prazer e dor.
Dambas rejeitam qualquer discussão racional e decidem por tradição religiosa.
Ea ética do discurso despreza a igualdade entre os participantes, enquanto o utilitarismo a garante.
Gabarito comentado
O utilitarismo julga a moralidade pelas consequências em bem-estar, enquanto a ética do discurso de Habermas fundamenta normas no consenso alcançado por argumentação racional entre os afetados. Distinguir esses critérios ajuda a analisar dilemas contemporâneos de bioética e justiça que envolvem toda a sociedade.
Resolução passo a passo
O texto contrapõe a ética utilitarista, que avalia a ação pela soma de bem-estar produzida para o maior número, à ética do discurso de Habermas, que considera legítima a norma aceita por todos os afetados em diálogo racional e igualitário. A segunda alternativa descreve corretamente essa diferença entre critério das consequências e fundamentação pelo consenso. A primeira erra, uma vez que nenhuma das duas se reduz às intenções do agente. A terceira inverte os autores, atribuindo a cada um a tese do outro. A quarta é falsa, pois ambas dispensam a decisão por tradição religiosa. A quinta também inverte, já que a igualdade entre participantes é exigência da ética do discurso. Por isso, a correta é a segunda.
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