Ciências HumanasFilosofia Antiga (Mito vs. Logos, Pré-Socráticos e Filosofia Clássica)Médio

Questão de Filosofia Antiga (Mito vs. Logos, Pré-Socráticos e Filosofia Clássica) — ENEM

Em sua reflexão sobre a vida boa, Aristóteles sustenta que a virtude moral não é um dom inato, mas um hábito conquistado pela repetição de boas ações ao longo da convivência em sociedade. Para ele, cada virtude se encontra em um justo meio entre dois excessos viciosos: a coragem, por exemplo, é o equilíbrio entre a covardia, que é falta, e a temeridade, que é excesso; a generosidade está entre a avareza e o desperdício. Esse meio-termo não é uma medida matemática igual para todos, mas o ponto adequado em relação a cada pessoa e a cada situação concreta, determinado pela razão prática do homem prudente. Cultivar esses hábitos conduziria à felicidade, entendida como realização plena da natureza humana. Essa concepção fundou uma tradição duradoura na cultura ética ocidental. Qual princípio orienta a ética da virtude proposta por Aristóteles?
AA busca do justo meio entre dois extremos viciosos, conforme a razão prática.
BA obediência incondicional às leis divinas reveladas nas escrituras.
CA renúncia total aos prazeres e às paixões como caminho da salvação.
DO cálculo da maior felicidade para o maior número de pessoas.
EA submissão da conduta individual à vontade absoluta do soberano.

Gabarito comentado

A ética aristotélica é uma ética da virtude centrada no meio-termo: a excelência moral está no equilíbrio entre o excesso e a falta, alcançado pelo hábito e guiado pela prudência. Esse modelo, que liga virtude e felicidade, influenciou profundamente a filosofia moral ocidental.

Resolução passo a passo

O texto apresenta a virtude aristotélica como hábito que se situa no justo meio entre dois vícios, como a coragem entre covardia e temeridade, ajustado pela razão prática a cada situação. Esse é o princípio do meio-termo. A obediência a leis divinas reveladas é estranha à ética grega de Aristóteles e remete a tradições religiosas posteriores. A renúncia total aos prazeres aproxima-se de doutrinas ascéticas, não do equilíbrio aristotélico. O cálculo da maior felicidade para o maior número descreve o utilitarismo moderno, de Bentham e Mill. A submissão à vontade do soberano é uma noção política, não ética da virtude. Por isso, o princípio correto é a busca do justo meio.

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