LinguagensLinguagem Multimodal e HipertextoMédio

Questão de Linguagem Multimodal e Hipertexto — ENEM

Uma charge publicada num jornal mostra, à esquerda, uma árvore enorme, frondosa e cheia de folhas verdes, com pássaros pousados nos galhos. À direita, separada por uma linha tracejada, aparece a mesma árvore reduzida a um toco seco, sem folhas nem pássaros, ao lado de uma motosserra apoiada no chão. Acima das duas cenas, lê-se a frase 'Antes e depois do progresso', com a palavra 'progresso' escrita entre aspas. A oposição entre as duas imagens, a viva e a destruída, junto das aspas que envolvem o termo 'progresso', constrói uma crítica. As aspas marcam que a palavra não deve ser entendida em seu sentido habitual de avanço positivo, mas com ironia. Considerando como o contraste entre as imagens e o uso das aspas na palavra 'progresso' atuam juntos, depreende-se que a charge pretende
Aelogiar o desenvolvimento econômico que derruba florestas para gerar empregos.
Bcriticar com ironia o chamado progresso, que destrói a natureza em nome do avanço.
Cinformar de modo neutro as etapas técnicas do corte de árvores em uma região.
Ddescrever o ciclo natural das estações, em que as árvores perdem as folhas no inverno.
Eensinar o leitor a plantar e a cuidar de árvores frondosas em áreas urbanas.

Gabarito comentado

Na charge, gênero multimodal e crítico, o sentido nasce da interação entre imagem e palavra. Recursos como o contraste entre cenas e o uso de aspas para marcar ironia exigem leitura inferencial: o leitor precisa perceber que o texto diz o contrário do que parece afirmar, combinando pistas visuais e verbais para reconstruir a crítica.

Resolução passo a passo

A charge opõe duas imagens, a árvore viva e cheia de pássaros e a árvore reduzida a um toco seco ao lado da motosserra, e coloca a palavra 'progresso' entre aspas. Esse contraste visual, somado às aspas que afastam o termo de seu sentido positivo, produz ironia: o suposto progresso, na verdade, é destruição da natureza. Os dois modos, o visual e o verbal, cooperam para a crítica. Elogiar o desenvolvimento contraria o tom irônico, que desautoriza a ideia de avanço. Afirmar que a charge informa de modo neutro ignora a carga crítica das aspas e do contraste. A leitura sobre o ciclo das estações não cabe, já que há uma motosserra, sinal de ação humana, e não de inverno. Dizer que ensina a plantar árvores também não se sustenta, pois não há instrução. Logo, a charge critica com ironia o chamado progresso.

Quer mais questões de Linguagem Multimodal e Hipertexto?

Monte um simulado focado neste subtema e acompanhe sua evolução.