Gabarito comentado
Na charge, gênero multimodal e crítico, o sentido nasce da interação entre imagem e palavra. Recursos como o contraste entre cenas e o uso de aspas para marcar ironia exigem leitura inferencial: o leitor precisa perceber que o texto diz o contrário do que parece afirmar, combinando pistas visuais e verbais para reconstruir a crítica.
Resolução passo a passo
A charge opõe duas imagens, a árvore viva e cheia de pássaros e a árvore reduzida a um toco seco ao lado da motosserra, e coloca a palavra 'progresso' entre aspas. Esse contraste visual, somado às aspas que afastam o termo de seu sentido positivo, produz ironia: o suposto progresso, na verdade, é destruição da natureza. Os dois modos, o visual e o verbal, cooperam para a crítica. Elogiar o desenvolvimento contraria o tom irônico, que desautoriza a ideia de avanço. Afirmar que a charge informa de modo neutro ignora a carga crítica das aspas e do contraste. A leitura sobre o ciclo das estações não cabe, já que há uma motosserra, sinal de ação humana, e não de inverno. Dizer que ensina a plantar árvores também não se sustenta, pois não há instrução. Logo, a charge critica com ironia o chamado progresso.
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