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Questão de Semântica, Ambiguidade e Ironia — ENEM

O caderno de classe de uma escola exibiu, num mural de curiosidades sobre a língua, a seguinte manchete recortada de um jornal de bairro: 'Cachorro morde homem na praça e foge correndo.' Os estudantes começaram a rir, porque a frase, do jeito que foi escrita, não deixa claro quem fugiu correndo: o cachorro ou o homem. A construção da oração permite que o leitor entenda tanto que o animal saiu em disparada quanto que a vítima escapou assustada. O professor aproveitou o episódio para mostrar que, muitas vezes, uma frase mal organizada gera mais de um sentido possível, sem que o autor tivesse essa intenção. Esse problema não está em nenhuma palavra isolada, e sim no modo como os termos foram dispostos na oração. Considerando o efeito provocado pela frase, o fenômeno que torna a manchete engraçada e confusa é a
Aambiguidade estrutural, já que a organização sintática da frase permite mais de uma interpretação.
Bmetáfora, já que uma palavra é empregada em sentido figurado para criar uma comparação.
Cpolissemia, já que uma única palavra acumula vários significados no dicionário.
Dpersonificação, já que se atribuem características humanas a um animal irracional.
Ehipérbole, já que há um exagero proposital para enfatizar a fuga dos envolvidos.

Gabarito comentado

A ambiguidade estrutural ocorre quando a ordem e a relação sintática entre os termos de uma frase abrem espaço para mais de uma leitura, independentemente do sentido das palavras. Identificá-la exige observar quem pratica a ação e como os termos se ligam, e não apenas o significado isolado de cada vocábulo.

Resolução passo a passo

A dúvida da manchete não nasce do significado de uma palavra específica, e sim da maneira como a oração foi montada: o sujeito de 'foge correndo' fica indefinido, podendo ser o cachorro ou o homem. Esse duplo sentido provocado pela disposição dos termos na frase chama-se ambiguidade estrutural ou sintática. A metáfora supõe sentido figurado com comparação, o que não ocorre aqui, uma vez que tudo é literal. A polissemia envolve uma palavra com muitos significados, enquanto o problema está na construção, não no léxico. A personificação atribuiria traços humanos ao animal, algo ausente no texto. A hipérbole seria um exagero intencional, e a frase não amplia nada: apenas confunde quem é o agente da fuga. Logo, o recurso é a ambiguidade estrutural.

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