Ciências HumanasCartografia, Escalas e Projeções GeográficasDifícil
Questão de Cartografia, Escalas e Projeções Geográficas — ENEM
Um historiador da cartografia escreveu: "Nenhum mapa-múndi é inocente. Ao transpor a esfera para o plano, todo cartógrafo escolhe o que preservar e o que distorcer. A projeção de Mercator, criada no século XVI para a navegação, mantém os ângulos corretos, qualidade essencial para traçar rotas, mas para isso amplia desmesuradamente as áreas próximas aos polos. Assim, a Groenlândia aparece do tamanho da África, embora a África seja muito maior na realidade. Por séculos, esse mapa decorou salas de aula e reforçou, no imaginário social, uma visão que engrandecia a Europa e o Hemisfério Norte e minimizava os países tropicais." O texto chama a atenção para o fato de que a escolha de uma projeção não é apenas técnica, mas carrega valores culturais e políticos. Considerando o argumento do historiador a respeito da projeção de Mercator, depreende-se que
Aa fidelidade aos ângulos sacrifica a proporção das áreas, exagerando as terras de altas latitudes e influenciando a percepção política do mundo.
Ba projeção de Mercator preserva simultaneamente ângulos e áreas, sendo a representação mais fiel da superfície terrestre.
Cas distorções de Mercator são puramente estéticas e não produzem qualquer efeito sobre a forma como as sociedades enxergam o mundo.
Do exagero das regiões tropicais nessa projeção valoriza os países do Hemisfério Sul em detrimento da Europa.
Ea escolha de uma projeção é uma decisão neutra e técnica, sem relação com valores culturais ou interesses políticos.
Gabarito comentado
A projeção de Mercator é conforme, isto é, conserva os ângulos e a forma das pequenas regiões, mas distorce as áreas, sobretudo em altas latitudes. Reconhecer que toda projeção implica escolhas e perdas permite uma leitura crítica dos mapas, percebendo como a cartografia pode reforçar visões de mundo e relações de poder.
Resolução passo a passo
O texto afirma que Mercator preserva os ângulos para favorecer a navegação, mas em troca distorce as áreas, ampliando as terras próximas aos polos, e que isso moldou uma visão que engrandecia o Hemisfério Norte; a primeira alternativa sintetiza esse argumento. A segunda contradiz o texto, já que nenhuma projeção plana preserva ângulos e áreas ao mesmo tempo. A terceira nega o efeito ideológico que o historiador justamente ressalta. A quarta inverte a crítica, uma vez que Mercator engrandece as altas latitudes do Norte, não os trópicos. A quinta afirma neutralidade, ao passo que o texto sustenta o contrário. Por isso, a leitura correta reconhece a distorção de áreas e seu efeito político.
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